BLACKOUT – Questão de ótica

 

Por Rosana Andréia

 

Conversava com uma amiga e ouvia sua indignação com um monte de coisas, a maior delas: a religião. Ela dizia “estou tão descrente de tudo”. Eu a olhei nos olhos e disse,” também já passei por isso”.
A questão é, nós seres humanos esperamos demais do outro ao nosso lado: do irmão,da irmã,do marido,da esposa,do amigo, do colega de trabalho,do pastor,do padre,do orador, da professora,do professor…
E se de alguma forma essas pessoas nos decepcionam, simplesmente não aguentamos e perdemos parte de nossas forças emocionais. Um contraponto a tudo isso é esperar de nós, de você a mudança. Quando o nosso foco é o outro para que ele nos empurre, não vamos caminhar, porque nossa esperança começa a se diluir através das decepções no infinito dos tempos.
O outro é nosso companheiro ,ou companheira de jornada, está ali, em algum lugar para caminhar conosco, mas somos nós que movemos a roda da vida que irá na direção do outro. A mesma coisa acontece com o nosso país. É sempre um partido, aquele cara, o grande nome, o isso ou aquilo que irá melhorar o Brasil e nos salvar de nossas mazelas sociais e humanas. Há 34 anos venho ouvindo a frase célebre” a educação é o único caminho para salvar o país”. Por muitos anos acreditei piamente nessa frase. Hoje diria que e a Educação é um complemento de um grande processo de transformação já iniciado há um bom tempo na virada do século XXI. A Educação não é mais a tábua de salvação do Brasil. Sinto dizer, mas não mesmo. No setor educacional, também tem pessoas mal formadas, perturbadas, soberbas, malvadas, egoístas e principalmente mal educadas .O maior desafio delas nesse setor, é educar a si mesmas. Nem todos que estão lá são salvadores, muitos estão lá porque acham que é um meio de ganhar dinheiro rápido. Como muitos acharão também que Religião é meio de ganhos fáceis. Sempre haverá um João de Deus em algum lugar. O ponto é, não existem partidos perfeitos, castas sociais perfeitas, escolas perfeitas, pessoas perfeitas e salvadoras de ninguém. Porque nenhum de nós é perfeito. Nós mudamos as coisas, nós nos salvamos quando usamos o principio que a pesquisadora Vera Maria Candau tão bem nos fala em seus trabalhos;” é preciso mudar o olhar, a mudança de ótica é fundamental. Em todo lugar, por todo canto de nosso país, precisamos olhar melhor para nós mesmos e depois para o outro a nossa volta. Se o exemplo começa em nós, ele alcançará o outro ao nosso lado de alguma forma. Nessa interatividade, e nesse novo exercício,” o da mudança de ótica “não podemos colocar no outro super expectativas, mas vê- lo como parceiro caminhante da mesma jornada. Se sou melhor para mim, serei melhor para alguém e poderei ATÉ ser exemplo, mas não Mártir. No setor Educacional, mais ou menos há tinta anos, ouvimos falar nos quatro pilares norteadores da Educação no século XX e XXI. Aprender a conhecer, aprender a conviver, aprender a fazer e aprender a Ser. O maior desafio dos quatro,” aprender a ser”.
Sendo melhores, teremos famílias melhores,escolas melhores, partidos melhores ,pessoas melhores e um Brasil melhor.