COISAS DA GABY – 55 páginas por dia

 

Por Gabrielly Costa

 

O Twitter, como a maioria das redes sociais, é basicamente uma terra de ninguém. Qualquer um pode dizer qualquer coisa a qualquer momento. Na maioria das vezes, sua opinião vai cair no limbo que representa apenas um espaço para desabafos. Às vezes, seus 275 caracteres mobilizam um nicho que, para muitos, passa despercebido no Brasil.

Gabrielly Costa

Quando o perfil oficial do Instituto Lula divulgou que o ex-presidente havia lido 21 livros em 57 dias, muitas opiniões foram emitidas na plataforma. A que mais se destacou, no entanto, foi a de uma usuária que chegou à conclusão, por meio de uma conta meio duvidosa, que Lula teria que ler 55 páginas por dia para alcançar a quantidade de livros divulgada. A pessoa seguiu afirmando que “qualquer pessoa que costuma ler” saberia o quanto isso era irrealista, destacando que o ex-presidente seria um “semianalfabeto”. Será?

Vejamos. Falando como uma leitora veroz, que sempre começa um novo livro pouco tempo após terminar outro, todos os leitores verozes possuem metas. Quantidade de livros para ler no ano, quantidade de páginas para ler no dia, quantidade de capítulos por semana. Não é difícil encontrar leitores que leiam 100 páginas por dia ou mais de um livro por vez. É seguro dizer também que nem todo mundo tem o tempo livre do qual o ex-presidente dispõe em Curitiba. Então de onde vem essa crença de que a leitura de 55 páginas por dia é irrealista? É, realmente, necessário duvidar disso? Às vezes refletimos nos outros as nossas próprias deficiências.

Em 2016, na Bienal do Livro de São Paulo, o Instituto Pró-Livro lançou a 4ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”. Dentre outros dados, os estudos mostraram que 30% da população nunca comprou um livro, sendo que mais da metade da população brasileira se considera leitora e apenas 4,96 livros são lidos por ano (2,53 lidos em partes e 2,43 terminados). Índices de um país que conta com Monteiro Lobato, Jorge Amado, Graciliano Ramos, José Guimarães Rosa e Paulo Coelho, e outros mais, como alguns de seus filhos.

Quando o assunto é literatura no Brasil a máxima é: brasileiro não lê ou lê pouco. Podemos discutir os motivos disso, a falta de interesse da população, como a rede de ensino acaba afastando as crianças da literatura ao invés de cativá-las ou o jeito como outros leitores acabam nos julgando pelos livros que lemos. E, assim, podemos buscar formas de mudar essa realidade.

Sou leitora desde que minha mãe me entregou uma edição de “O Jardim Secreto” da biblioteca de uma escola em que trabalhava, em 1999. Como muitas pessoas da minha idade (talvez nem tantas assim), cresci com os livros de Harry Potter e meu hábito de leitura me fez amar histórias como “1984” e “O Grande Gatsby”. Por sempre ter gostado de ler e escrever, me formei em jornalismo. Talvez, por isso, eu não ache estranho alguém ler muito. Afinal, algo não tem limites nessa vida, esse algo é a literatura.

Sou leitora desde que minha mãe me entregou uma edição de “O Jardim Secreto” da biblioteca de uma escola em que trabalhava, em 1999.

Então leia por prazer. Leia para estudar. Leia para se informar. Uma matéria no Notícias de São Pedro da Aldeia, 5 páginas de um artigo, 55 páginas de um livro, não importa.

Apenas leia.