EDUCAÇÃO – Cabo Frio começa a pagar servidores mas grevistas vão receber depois

Medida foi anunciada na página da Prefeitura nesta terça. Professores se reuniram para protestar contra atraso.

Professores fazem manifestação em frente à Prefeitura

Professores fazem manifestação em frente à Prefeitura (Foto: Keetherine Giovanessa / Sepe Lagos)

A Prefeitura de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, informou em uma nota oficial nesta terça-feira (21) que está depositando os salários de parte dos servidores contratados das secretarias de Saúde e Educação. Os salários são referentes ao mês de maio. Na nota, a Prefeitura afirmou que vai priorizar o pagamento de funcionários que não participam da greve.

“A partir das 16h estaremos depositando os salários dos contratados da Saúde e da Educação. Vale ressaltar que, na Educação, priorizamos o pagamento dos professores que não participaram da greve. Aproximadamente 85% do quadro dos servidores receberão até o final da tarde de hoje”, informou a nota, disponível no site da Prefeitura

Ao tomarem conhecimento da medida funcionários públicos se reuniram para protestar em frente ao prédio da Prefeitura. Na última quarta-feira (15) servidores fecharam a Ponte Feliciano Sodré, no Centro da cidade, em protesto pelos constantes atrasos no pagamento.

Mudando de profissão
No sábado (19) o RJ Inter TV fez uma reportagem mostrando que professores da rede municipal de ensino estão apelando para outras atividades para conseguirem complementar suas rendas. Alguns estão trocando de profissão e outros estão acumulando funções. É o caso de Igor Cardoso, de 35 anos, casado e pai de dois filhos. Em dezembro de 2015 ele se tornou gerente de um restaurante por conta da crise na rede municipal de ensino.

Desde novembro do ano passado os profissionais realizam paralisações para revindicar salários e benefícios atrasados. Na última segunda-feira (12), o Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe Lagos) iniciou mais uma greve. Diante do quadro, professores têm buscado alternativas para pagar as contas e arcar com despesas básicas, como alimentação.

“Com a crise que se instaurou na Educação de Cabo Frio, precisei procurar outro emprego”, justifica Igor Cardoso.

“Quando eu passei a ser gerente (do restaurante) eu ainda estava na Educação. Mas no final de 2015 foi a gota d’água. O ano letivo iniciou no dia 6 de abril e até o hoje os professores só receberam um salário. Aqui no restaurante eu já tive aumento. É o tal do reconhecimento, porque hoje a Prefeitura de Cabo Frio não reconhece o profissional que tem”, lamenta ele.

Outro professor que recorreu a uma segunda opção é Leandro Machado, de 34 anos, solteiro e também pai de dois filhos. O profissional fez da música sua fonte de renda.

“Devido ao atraso do pagamento, é com a música que tenho pagado minhas contas”, afirma ele.

Em nota, a Prefeitura disse que apesar da greve não deixou de pagar nenhum mês de salário e que o pagamento tem sido feito com atraso de 15 dias.

Fonte G1/Inter TV