Izabelle Valladares e a História para curiosos: A primeira mulher a investir na bolsa de valores do mundo era brasileira

A primeira mulher a investir na bolsa de valores do mundo era brasileira e pasmem, o amor da vida de um dos maiores abolicionistas, mesmo sendo de família Escravocrata.

Gente, estou há uma semana pesquisando esse casal babado, pra poder passar pra vocês e fico cada vez mais perplexa de não entender porque nos ensinam tanta bobeira na escola e nos poupam de histórias maravilhosas de pessoas que realmente deveriam jamais serem esquecidas?
Falo isso de cadeira, pois muitos personagens que deveriam ser endeusados em nossos livros são citados de forma muito breve.
Acredito na necessidade se uma reformulação nos livros didáticos de nosso país e em seus tópicos. Algo precisa ser feito de fato, um país que não conhece a sua história é incapaz de planejar os seu futuro. Só acho!
Mas, pra falar desses dois personagens de forma a não me alongar muito, vou pular uns nomes ou o texto ficará gigantesco.

Primeiro as damas: Eufrásia a primeira mulher a investir na bolsa de valores do mundo

Eufrásia Teixeira Leite, nasceu em 15 de abril de 1850 ( 38 anos antes da abolição) em Vassouras-RJ, era de família Escravocrata, sobrinha do Custódio Teixeira Leite , que tive o prazer de ouvir falar, por ter se tornado o Barão de Aiuruoca, que foi trisavô da minha melhor amiga até hoje, já falecida, Ângela Feingold, que inclusive, começou a movimentar esse lado familiar um pouco antes de falecer e está inclusive enterrada no mesmo cemitério que o Barão, em Mar de Espanha, cidade Mineira que conheceu o Progresso através do mesmo, que inclusive deu o nome a cidade vizinha de Juiz de Fora, pois ele era justamente, o tal Juiz que vinha de Fora, para resolver os casos mais cabeludos do segundo Reinado em MG.

Izabelle Valladares e a História para curiosos: A primeira mulher a investir na bolsa de valores do mundo era brasileira

Pois bem, Eufrásia nasceu rica, seu pai ao contrário dos irmãos e demais familiares, ali da região de Vassouras e do Vale do Paraíba DO Sul , não se dedicou ao cultivo de café, o que ele fez? Mesmo tendo ido seguir o tal tio Barão de Aiuruoca, que na época não era barão, mas tornou-se um dos grandes barões do café da região (vide post da História do café) decidiu que seria um intelectual, um advogado administrador, então, não quis ser agricultor, casou-se e teve 3 filhos, duas meninas , Eufrásia e Francisca e 1 menino Acontece que esse menino, veio a falecer, por doença da infância, muito comum naquela época, como eu já disse, a vida não era um morango, ficando só as meninas e temendo, que as filhas caíssem em mãos escabrosas, ou nas mãos de maridos tolos, ensinou as meninas a cuidarem de administracao e finanças. Pois ao contrário dos demais familiares que juntavam suas riquezas em terras, o Papi da Eufrásia juntava suas riquezas em grana líquida, o que seria grana líquida?

O velho dinheiro no colchão, ouro, joias, títulos de dívidas ao portador ou seja, dinheiro pá pum, não era como os irmãos que juntavam fazendas, alqueires e mais alqueires, escravos etc, ou seja, bens que precisavam ser vendidos, eles tinham bens em mãos. Mas, vamos aos comparativos, o pai de Eufrásia tinha cerca de 6 escravos na fazenda, os tios chegavam a ter 300 em áreas até menores, só para ter uma noção de investimento variável.

Juro minha mãe mortinha que até a semana passada eu nunca tinha ouvido falar na Eufrásia.

Agora vamos falar do Joaquim Nabuco, sabe quando você já ouviu esse nome, sabe que ele é famosinho, sai em listinhas de abolicionistas, mas tu não sabe nada do cara? Assim me senti ao pesquisar sobre ele. Joaquim Nabuco era uma máquina do saber. O cara era historiador, jurista, escritor, filósofo, pensador, era tudo o que você podia imaginar. Nasceu em 1849, por tanto, apenas 1 ano antes do nascimento da Eufrásia, Pernambucano, muito bonito para os padrões da época como afirmam vários historiadores, inteligentíssimo, sensato, nasceu em 19 de agosto, quando é comemorado o dia do Historiador.

Nabuco era uma espécie de cientista político, pesquisador da influência do abolicismo, abolicionista convicto e um diplomata, falava várias línguas. Foi criado no interior de Pernambuco em uma fazenda de engenho e pasmem, era a única criança branca na fazenda, que tinha cerca de 100 escravos, então podemos crer que seus amiguinhos de infância eram os filhos dos Escravos, foi criado por uma madrinha que não tinha filhos. Sua família veio toda para o Rio de Janeiro e deixaram o menino lá pra ser bem ” estragado” pela madrinha, ele chega a citar em alguns livros, como o ” Minha formação” que ele era tratado como um rei naquela fazenda. A Fazenda existe até hoje e abriga um museu aberto a visitação. Mas vamos voltar aos assunto Eufrásia e Nabuco.

Como era de se esperar, o pai de Eufrásia , nada bobo, diga-se de passagem, preparou as meninas para serem águias financeiras e nenhuma das duas casou -se ou teve filhos. Pois a submissão imposta na época, não fazia parte dos seus vocabulários.
Mas, o motivo desse artigo é falar do casal água e azeite, ou seja, o casal mais bafônico da época, como uma menina rica de familia escravocrata poderia se envolver com um abolicionista ?

O Romance dos dois inspirou inclusive José de Alencar para escrever o Livro ” A senhora” , os dois rolaram naqueles canaviais (mentira), mas, entre a cana e o café, essa é a história mais shakesperiana do Brasil, são nossos Romeu e Julieta, isso é fato.
Eufrásia nasceu onde hoje fica o Museu Casa DA Era em Vassouras, na verdade a Era (plantinha) só veio depois, mas é lá o Museu da Família, mas, como ja mensionado, ela era de família muito rica e tinham também uma Casa na corte, estamos falando do período Imperial, e essa casa da corte, era na Rua das Laranjeiras, infelizmente a casa já foi derrubada, dando lugar a um enorme prédio ( nosso país não preserva sua memoria) pois bem, logo ali pertinho, vivia quem? Quem? O bonitão do Nabuco, uma vez que sua dinda já tinha morrido e a família foi lá buscar o mimo da dinda que não tinha filhos no engenho em Pernambuco. Ela morava com sua irmã Francisca.

Nabuco era um Filét pra época, além de bonitão, pegada Thiago Lacerda, tinha 1,86 de altura (raríssimo, naquela época) e tinha a voz do Cid Moreira, pense?
E Eufrásia também não jogava pra perder , era bonita, milhardária, inteligente e sabia se impor, posso comparar ela a mim, com um pouco mais de dinheiro (kkkkk) não fui feliz na comparação né? Mas, então não vamos comparar a ninguém.

Nenhum historiador sabe a data precisa e local onde se conheceram, embora as duas famílias devassas se encontrar sempre nos Saraus, bailes, festas, debuts promovidos pelas famílias da corte. Sabe- se apenas que os dois estavam em uma mesma regata no Rio em 1862, QUANDO Eufrásia tinha 12 aninhos e Nabuco 13, inclusive a Família Imperial estava presente. A única coisa concreta é o navio Chimboraso, um navio que em 1873 levou os dois pra Europa, então não dá pra afirmar que tenham se conhecido ali, mas existe uma grande probabilidade, mas, alguns afirmam que os dois já se conheciam e marcaram de viajar juntos.
Pois bem, Eufrásia ia para a Europa com a irmã, para viver uma vida nova, para ter noção em 1871, sua mãe morreu, em 1872 o pai morreu e em 1873 a avó morreu então foi o bota fora delas do Brasil.
A irmã de Eufrásia tinha um problema físico, alguns acham que nasceu com um defeito na coluna, outros atribuem a uma queda de cavalo, mas, não era a primeira vez que as meninas iam a Europa, já tinham ido quando Francisca tinha 8 anos para tentarem curar esse desvio de quadril que a deixara manca.

Então partiram para Paris em 1873, pois já conheciam a cidade e já tinham amigos por lá.
Agora Nabuco, estava indo pela primeira vez, o que era quase uma obrigatoriedade naquela época as famílias mais abastadas que seus homens fizessem essa viagem para se formarem, visto que no Brasil, ainda não haviam universidades. Tudo o que aprendiam nos livros, podiam conhecer pessoalmente , como óperas, poetas, museus etc… O pai do Nabuco era senador e queria muito que o Nabuco fosse político, sua família era totalmente Liberal e anti escravagismo, seus escravos do engenho já haviam sido libertos e só ficaram trabalhando aqueles que recebiam pelo trabalho, já a família de Eufrásia era totalmente contra a abolição.

Então o antagonismo político era o principal empecilho para esse relacionamento, mas nada foi muito explícito a sociedade, dizem a boca pequena, que estava de caso com uma mulher casada da época, aproveitando-se por ser mesmo um galã, e tal caso veio a público o que fez seu pai dar um chá de sumisso Europeu nele por um tempo.
Só sei que viajaram de agosto a Setembro e chegaram em Paris, pasmem… noivos! E assim permaneceram até dezembro do ano de 1874, quando Eufrásia já tinha 24 anos. Muito velha pra estar solteira na época.

Mas, não estava desesperada e isso vamos perceber logo.

Nabuco como já foi dito antes, era um galanteador, tinha a incrível mania de “pegar geral” meio que o Simón Bolivar, brasileiro, mas, Eufrásia deu meio que um flagrante de tal situação e de dedo em Riste gritou:” Pra cima de mim não, violão” (imaginação da autora aqui) só sei, que ela desistiu de casar e isso foi informado por carta ao pai do Nabuco, essa carta inclusive ainda existe, inclusive a do pai dele, respondendo ele, que está no Museu Nabuco e diz que aconteceu alguma coisa no réveillon parisiense, citando uma infidelidade aparente e manifestando a sua vergonha frente ao fato de já ter comunicado a sociedade tal casamento, inclusive chamando a atenção do mesmo para sua volatilidade.
Nessa, já vemos que Eufrásia era diferenciada, pois naquela época, todo mundo aceitava uma traição masculina, mas, Eufrásia? Não era todo mundo.
Mas, de alguma forma, o amor não acabou. Como estavam ambos na Europa, fazem uma longa viagem juntos, depois do noivado rompido. Eufrásia não devia mesmo satisfação a ninguém no Brasil e era podre de rica e lá foram eles pela Itália, pela Suíça, pelo interior da França, tudo isso citado no diário de Nabuco.
E depois desse período maneiro, eles voltam e reatam o noivado, mas, Eufrásia não pensa em voltar para o Brasil e mais uma vez o noivado é rompido. Nisso o pai escreve a Nabuco quase chamando ele de bobão, porque estava perdendo um casamentaço, e era só ele casar dizendo que ia ficar na Europa e depois dizer: “Tu vai e pronto! ( O pai não conhecia Eufrásia mas, Nabuco sabia que isso não ia rolar com ela).

Depois desse episódio, Nabuco vai pra Londres e recebe ordens pra Voltar pro Brasil e volta sem Eufrásia.
Nessa época José de Alencar, começou a Escrever ” Senhora” que é a história em que uma milionária por Herança, frequentadora da côrte, compra um marido e leva pra Europa, como Nabuco Detestava José de Alencar, achou que realmente, José estava alfinetando ele com essa história,como se ele fosse um interesseiro.
Em 1876 ele consegue um cargo de diplomata em Washington e naquela época, para ir para os Estados Unidos o navio parava na Europa , vai entender ? E ele volta a encontrar Eufrásia, pede ela em casamento pela terceira vez e ela nega novamente, logo no ano seguinte, ele consegue finalmente um cargo pra ser diplomata na Europa que era o sonho dele e nesse mesmo ano, seu pai falece e dizem que de desgosto político.

Ele volta ao Brasil, consegue se eleger deputado, depois perde no segundo mandato e decide voltar para a Europa. Nessa volta, ele arruma lá um empreguinho de jornalista correspondente é quando escreve o Livro a abolição, 4 anos antes da abolição no Brasil e esse livro é aclamado, ele reencontra Eufrásia e pá, volta com ela para o Brasil para convencer a Côrte sobre a Abolição.
E o Romance reaquece, ela volta em sua cidade e encontra sua casa coberta de Eras, e manda deixar assim mesmo, já com ideologia abolicionista, alforria seus poucos escravos, já que a terra tambén, já não produzia café, ela também faz várias visitas a Princesa Isabel em Petrópolis, e nesse período há cartas românticas , inclusive um bilhetinho dela dizendo que o amava de todo coração. E quando todo mundo acha que o casório vai rolar,mais uma vez, pela quarta vez, não casam.

Em 1885, do nada, sob pressão da saúde da irmã que ficara em Paris cuidando dos negócios , Eufrásia mete o pé pra Europa. Aí, o negócio fica sinistro. Ela escreve muitas cartas se justificando, pedindo desculpas, afirmando seu amor, mas atestando que não pode seguir mais no Brasil.
Ela escreveu inúmeras cartas, mas este não as respondia mais, e sabendo por outros que ele estava cheio de dívidas, até por ir e vir da Europa diversas vezes , ela, empoderada milionária, oferece dinheiro pra ele ir até a Europa e quitar suas dívidas e ele ficou foi Putoooo, ficou sentindo-se um prostituto, mandou outra carta informando que não tinham mais vínculos que não abriria mais suas cartas e no ano seguinte, pouco depois da abolição, o bonitófero se casou com Evelina, que também era do Rio de Janeiro, da região de Campos dos Goytacazes, com quem ele teve 5 filhos. Dez anos depois eles voltam a se encontrar na casa da Princesa Isabel em Paris, já após a família real ser expulsa do Brasil, e como Nabuco escrevia diários, foi uma forma de conseguirem colar esse quebra-cabeças.

As cartas de Nabuco para a amada, não existem mais. Sua correspondência, a pedido de Eufrásia, teria sido enterrada pelo advogado Raul Fernandes (1877-1968) – mais tarde, ministro das Relações Exteriores (1946-1951 e 1954-1955) –, fato que seria confirmado pelo sociólogo Gilberto Freyre (1900-19897) e pelo historiador Américo Jacobina Lacombe (1909-1993).

Mas, as dela pra ele existem até hoje. Mas, ele fazia umas cópias das cartas por medo de extravio e quando ele terminou com ela depois dos 14 anos, pelo menos essa cópia de rompimento existe até hoje no Museu de Nabuco.
Ele chega a pedir as cartas a ela, para não exporem suas intimidades, na certa transavam né? Depois de 14 anos e viagens , mas, ela nega veementemente e diz que as cartas vão com ela para o túmulo e foram mesmo.
Eufrásia voltou a Paris, e começou a investir no mercado financeiro, imaginem uma mulher , naquela época investindo na bolsa de valores? Seu pai cantaria ” te ensinei Certim” , pois bem, ela investiu em ferrovias, bolsa de valores, bancos e era milionária, tinha ações do Banco do Brasil, das Dicas, da Estrada de Ferro madeira Mamoré, do loyd brasileiro e ficou sendo uma das civis, mais ricas do planeta. Essa definitivamente não era fraca.

Nunca casou, a irmã morreu em 1890 e depois de ter herdado a grana do pai, da avó e da mãe, herdou também a da irmã, que também não teve filhos, nunca mais teve outro relacionamento e aí chega a Eufrásia Filantrópica. Ela volta ao Brasil e Ela doa toda sua fortuna para Vassouras, SUA CIDADE!
Com a grana dela foram construídas escolas hospitais, abrigos, Orfanatos, praças enfim, tudo voltou ao município que ela nasceu que preserva sua casa até hoje (É o mínimo ne?).
Cara, se Eufrásia nascesse na França ela seria uma Channel, se nascesse na Áustria Uma Sisi, se nascesse em Londres uma Daiana, se nascesse na Argentina, uma Evita, mas a Rica Coitada, porque existe mesmo a pobre menina rica, nasceu aqui e foi brilhantemente atolada e enterrada e esquecida por nossa história, como tantas outras mulheres que fizeram a diferença em outras épocas.

Depois dessa só um café em homenagem a família cafeicultora de Eufrásia.
Pois são 5h da manhã e eu estou de quarentena.
Izabelle Valladares

Izabelle Valladares e a História para curiosos

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IZABELLE VALLADARES

Sou escritora, mas, amo história de modo geral, aqui deixo compartilhado os temas que estudo



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