O LIVRO DOS SONHOS – A VINGANÇA DE ADOLPHO MISTER – PRÓLOGO, Domrémy, século XV

Adolpho Mister nasceu em 1443 em Domrémy, na França. Pertencia a uma família muito pobre, seus pais eram camponeses e levavam uma vida dura e muito trabalhosa. Na infância, ele trabalhou muito ajudando o pai na plantação de alimentos para o consumo próprio. O que sobrava, eles negociavam numa feira que era realizada todos os domingos. O pai de Adolpho nunca levava muita vantagem no escambo, pois suas hortaliças tinham pouco valor. Em plena Guerra dos Cem Anos, a vida não era fácil para Adolpho Mister. Aos dez anos perdeu o pai, morto pela temida peste negra, transmitida pelas pulgas oriundas de ratos infectados pela doença. A peste tornara-se epidêmica por causa da falta de saneamento básico e das precárias condições higiênicas da Europa à época. Um ano após a morte do pai, Adolpho Mister começou um estudo sobre sonhos.

A mãe sentia muito orgulho do filho. Ela não sabia escrever, e ele, com apenas 11 anos, já escrevia e lia muito bem. Viúva, ela passou a confeccionar cestos de palha para poder sustentar a casa. Adolpho começou a colher dados sobre sonhos, cujos resultados ele mesmo observava. Logo pela manhã, ele perguntava para as pessoas o que elas haviam sonhado e passava a observá-las durante todo o dia. Adolpho Mister passou a ser conhecido como o Menino dos Sonhos. Já com 18 anos, Adolpho tinha muitos textos escritos sobre o seu estudo e muitos moradores o consultavam antes de começarem o dia de trabalho.


— Adolpho, hoje eu sonhei que minha mão estava decepada — comentou um morador. — Caro amigo, isso não é bom. Uma desgraça está por vir — disse Adolpho Mister. Todos ficaram surpresos com a profecia do Menino dos Sonhos, pois naquele mesmo dia o casebre no qual o homem morava pegou fogo. — Adolpho me salvou!!! Ele salvou minha vida! — gritava o morador. Todos abraçaram Adolpho e ele passou a ser consultado por todos os moradores da cidade. Aquela grande movimentação popular chamou a atenção da Igreja, que acionou o Tribunal da Inquisição, instituído na Idade Média para combater a heresia. Na época, qualquer ideia e doutrina contrárias às ideias e doutrinas cristãs eram severamente combatidas. Os condenados eram queimados vivos ou estrangulados. Numa noite, Adolpho sonhou com um tigre. — O inimigo deseja me prejudicar — disse ele, de posse do livro. Adolpho tomou uma decisão que não agradou a mãe. Ele partiu, fugindo da Inquisição, deixando com ela o livro. Depois de fugir por meses, Adolpho Mister foi capturado e julgado culpado. Adolpho Mister foi queimado vivo numa fogueira aos 18 anos de idade. — Vocês irão pagar pela minha morte! A humanidade vai se arrepender de não valorizar a minha descoberta! Essas foram as últimas palavras do Menino dos Sonhos antes de morrer queimado pelo fogo da Inquisição. A enorme plateia ainda gritava: — Morra, seu bruxo! — Queime no fogo do inferno!
— Morra, seu feiticeiro! Após queimarem Adolpho, os religiosos ainda confiscaram os bens dele. Esse foi o motivo pelo qual Adolpho tinha abandonado a mãe, a qual guardou o livro do filho até a morte.

F456L Fulgoni, Renato Cosme 1.ed. O livro dos sonhos: a vingança de Adolpho Mister / Renato Cosme Fulgoni. – 1.ed. – Rio de Janeiro: Albatroz, 2017.
ISBN: 978-85-9553-040-9
1. Literatura brasileira. I. Título.
CDD 869.91

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